segunda-feira, maio 23, 2011

Nada mais triste do que eu

A camada não é mais superficial. Muitas camadas, uma a uma vão se juntando, se encrostando uma outra. Viram coisa una apesar de começarem separadas. Saem juntas com um empurrão mais decisivo de uma unha. Ainda não era a hora, mas, já fora uma as outras - conservando uma quase perfeição, perto dela ficariam ainda mais imperfeitas. Por quê?
Tirar também. Por quê?
Só tirar também, sem perguntar.
Não quero ouvir nada mais triste do que eu.

segunda-feira, fevereiro 23, 2009

Avisando...

estou fazendo esse blog migrar (ele e todos os posts dele) pro www.derhimmeluber.wordpress.com
Ainda estou tateando nas configurações, com alguma ajuda, ele acompanhará o momento transitório.

domingo, fevereiro 22, 2009

Ofélia




"Efetivamente, o apelo dos elementos materiais é tão forte que pode servir-nos para determinar tipos de suicidas bem distintos. Parece que então a matéria ajuda a determinar o destino humano. Marie Bonaparte mostrou muito bem a dupla fatalidade do trágico ou, melhor dizendo, os vínculos estreitos que unem o trágico e o trágico literário: "Realmente o gênero da morte escolhido pelos homens, quer seja na realidade para eles mesmos pelo suicida, ou na ficção para seu herói, nunca é ditado pelo acaso, mas em cada caso, é determinado de modo estritamente psíquico." (op. cit., p. 584) . Surge aqui um paradoxo sobre o qual gostaríamos de nos explicar.
Sob certos aspectos, pode-se dizer que a determinação psicológica é mais forte na ficção do que na realidade, pois na realidade podem faltar os meios da fantasia. Na ficção, fim e meios estão à disposição do romancista. Eis porque os crimes e os suicídios são mais numerosos nos romances que na vida. O drama e sobretudo a execução do drama, o que se poderia chamar de discursividade literária do drama, marca, pois, profundamente o romancista. Quer queira quer não, o romancista revela o fundo de seu ser, ainda que se cubra literalmente de personagens. Em vão ele se servirá "de uma realidade" como de uma tela. É ele que projeta essa realidade, é ele sobretudo que a encadeia. No real, não se pode dizer tudo, a vida salta aos elos da corrente e oculta sua continuidade. No romance só existe o que se diz, o romance mostra a sua continuidade , exibe sua determinação. O romance só é vigoroso se a imaginação do autor for fortemente determinada, se ela encontrar fortes determinações na imaginação humana. Como as determinações se aceleram se multiplicam no drama, é pelo elemento dramático que o autor se revela mais profundamente.
O problema do suicídio na literatura é um problema decisivo para julgar os valores dramáticos. Apesar de todos os artifícios literários, o crime não expõe bem o seu íntimo. Com demasia evidência, ele depende das circunstâncias exteriores. Irrompe com um acontecimento que nem sempre se prende ao caráter do assassino. O suicídio, na literatura, prepara-se ao contrário como um longo destino íntimo. É literalmente, a morte mais preparada, mais planejada, mais total. O romancista quase que gostaria que o universo inteiro participasse do suicídio de seu herói. O suicídio literário é, pois, muito capaz de nos dar a imaginação da morte. Ele põe em ordem as imagens da morte.
No reino da imaginação, as quatro pátrias da morte tem seus fiéis, seus aspirantes. Ocupemo-nos tão somente do trágico pelas águas.
A água que é a pátria das ninfas vivas é também a pátria das ninfas mortas. É a verdadeira matéria da morte bem feminina. Desde a primeira cena entre Hamlet e Ofélia, Hamlet - seguindo nisso a regra da preparação literária para o suicídio - ,como se fosse um adivinho que pressagia o destino, sai de seu profundo devaneio murmurando: " Eis a bela Ofélia ! Ninfa, em tuas orações, lembra-te de todos os teus pecados." ( Hamlet. ato III , c. I)
Assim, Ofélia deve morrer pelos pecados de outrem, deve morrer no rio, suavemente, sem alarde.Sua curta vida já é a vida de uma morta. Essa pobre vida sem alegria será outra coisa senão uma vã espera, o pobre eco do monólogo de Hamlet?"*

Quando eu era mais nova, sabia de cor todas as falas de Ofélia. Adolescente, muito antes de ler Shakespeare na faculdade, muito antes de Prática de Interpretação I. Era somente uma identificação às cegas, antes de eu entrar num mundo de interrogações, eu costumava obedecer.

* BACHELARD, Gaston. A água e os sonhos. tradução de Antonio de Pádua Danesi, 2a. edição. São Paulo, 1989.
** Quadro de John Everett de Millais

quinta-feira, fevereiro 19, 2009

Last kiss

Comprei caixas. Além das mudanças que me propûs a fazer no meu quarto e em mim, final de período. Hora de encaixotar em seus devidos lugares o que já passou e colocar num espaço acessível para (e se) quando eu precisar, um dia. Tudo devidamente dividido. Literaturas e culturas brasileira e portuguesa e prática de interpretação numa caixa. Línguas portuguesa, lingüísticas, latim e práticas de produção em outra; teorias da literatura (incluindo teoria da literatura e filosofia), filosofia da linguagem e literatura clássica em uma terceira caixa e finalmente, outra só para as matérias de licenciatura. Alemão, filologia germânica e literaturas alemãs ficam separados.
Tenho coisas para jogar fora, para dispensar. Tenho pouco tempo a perder, mas penso de pouquinho em pouquinho. Só ir comer algo e tomar uma cerveja, mais um pouquinho de tempo. Voltar a andar pelos mesmos caminhos sinuosos de outrora. Não ouvir às minhas lágrimas e aos meus amigos e insistir numa última vez.
Minha irmã costuma dizer que minha vida é praticamente feita de últimas vezes. É como se fosse a imagem mais forte que tenho da vida: a última vez. E eu prolongo e faço de quase todas as vezes (inclusive da primeira) uma última. Algo que sempre deixará em mim, uma saudade eterna, como se fora a última vez que eu visse a pessoa amada partir mar adentro rumo à morte d´água.
Uma vez que a última vez, se torna, de fato última e definitiva, o definitivo assume todo o seu significado. Não há volta possível. É como se um adeus fizesse uma lavagem cerebral em mim e eu perdesse minha memória. Não há nada que se compare com uma última vez.
Então eu prolongo e me agarro a elas o quanto posso, porque sei que um dia, acaba e morre.

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

última literatura

Ontem eu fiz a minha última prova de Literatura Brasileira. Terminei a Literatura IV, portanto, nada de Literatura Brasileira ou portuguesa pra mim. Agora, só alemã e a comparada, que eu pretendo puxar porque afinal de contas, meus planos de mestrado são em Literatura Comparada.
O título da minha prova foi: O deslocamento pela loucura e contemplação; comparando dois contos de Guimarães Rosa e um de Clarice Lispector.
É claro que, em uma hora e meia, não dá para fazer muita coisa, mas saí de lá com a sensação de dever cumprido. Pegando com mais calma, essa prova daria um desdobramento muito bom.
Agora é esperar até março para saber o que a professora achou.

terça-feira, fevereiro 17, 2009

Equilíbrio

Parafraseando-a: pelo também meu, amor recente.

Assim como felicidade como estado constante também não existe. A não ser felicidade de micareta; que não me cabe.

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

Estrelas - ilhas

"Away, then, my dearest,
Oh! hie thee away
To the springs that lie clearest
Beneath the moon-ray-
To lone lake that smiles,
In its dream of deep rest,
At the many star-isles
That enjewel its breast-
Where wild flowers, creeping,"
Al Araaf - Edgar Allan Poe

Há pessoas com as quais não ficaria. Simplesmente pelo motivo que ficar é vulgar demais.Ficar é qualquer um, pode ser qualquer pessoa que te sorria sob uma luz estreboscópica, à falta de luz de alguns drinkes numa noite de carência. No ficar, está implícito que, é bem provável (muito provável, na maior parte das vezes) que haja arrependimento e decepção. As vezes ambos, sendo estes facilmente aplicavéis não só as outras pessoas como também a você mesmo.
Certas pessoas não cabem nessa coisa ordinária que convencionamos ao ato de "ficar".Certas pessoas, você olha (olhar aqui estendendo-se infinitamente além do olhar propriamente dito, que supõe somente beleza externa, seja lá o que seja essa beleza física) e pensa: é para casar. Sem menos.
Não há meios de oferecer a estas pessoas menos do que isto e casamento tem hora, tem lugar e tem pessoas certas. Que podem ou não ser você.
Então... apesar de especulações alheias, pressões e perguntas de todos os lados e um certo desconforto momentâneo a algumas visões que pedem um envolvimento de fato, físico; caminha-se um fim de semana após o outro. É preciso tempo para ir de um extremo a outro. É preciso tempo para aceitar que aquele reflexo de estrela- ilha não é você, mas alguém em separado e que, talvezquemsabe,juntando-se os dois reflexos numa água menos pesada, eles formasse uma imagem.

sábado, fevereiro 14, 2009

2009

Há um ano atrás, eu tinha tudo. Ou achava que tinha. Tinha acabado de passar para o quinto período, a possibilidade de um estágio lecionando alemão, e o mais importante, tinha recém conhecido uma pessoa que, só à sua visão, o meu coração se acelerava de uma forma insana e eu sentia que iria morrer de ataque cardíaco aos 22 anos porque estava apaixonada.
Mas esse ano, se não fosse por haver conhecido a Daniela, eu facilmente o colocaria num baú junto com "os piores anos da minha vida" e olha que ainda estamos em fevereiro. Mas foi ao conhecer Daniela, que 2009 assumiu um outro significado. Maturidade, crescimento, compromisso. Vai ser o começo da minha vida adulta, o ano em que me formo, o ano em que irei fazer a prova de mestrado, o ano em que sentarei para escrever a sério, o ano em que eu talvez escreva o meu próprio projeto, o ano em que fiz as pazes com o alemão, o ano em que as barbies e bichinhos de pelúcia não tem mais lugar no meu quarto, o ano da mudaça da minha lingerie, de algodão para rendas e cintas-liga. O ano de eu entrar mais em mim, de eu me dar a minha própria companhia de presente, para variar. Hoje vou me dar de presente uma noite inaugural, porque a gente sabe que o ano no Brasil nunca começa antes do carnaval. Adiantei o calendário e trouxe o início do ano para cá. Hoje eu vou brindar à mim.
Obrigada, amor por tornar claras as espectativas de 2009.

Espelho

Toda vez que eu abro aquela página está aquele lembrete. Ela, uma pessoa em potencial, que, por conta de inúmeros amigos em comum, eu devo conhecer. E conheço. "Conheço" assim como "conheço" ele. Mas os que "conheci" juntos. E que via um e via outro e não sabia bem qual era a diferença de um para o outro. Você conhece casal e pensa casal, sem individualidades.
Então o casal se separa, mas como você não realmente os conhece, você não tem que lidar com as individualidades, até que uma chega a você.
E a outra permanece ali, como lembrança, como fantasma. Lembrete de que existiu e você sabe disso. Um espelho para comparação, eterno.

sexta-feira, fevereiro 13, 2009

die menschliche Natur

Können so viele Widersprüche in meinem engen Herzen wohnen?

É muito simples. Partam sempre do pressuposto de que eu não estudo letras germânicas à toa. Goethe do Sturm und Drang (não o Goethe do Klassik), Kleist, Novalis e Schopenhauer. Tudo embasando teoricamente a minha Idéia de vida e a vocação humana para o trágico.
Não se trata somente de história de vida. Ela foi apenas o ponto de partida.

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

Regressão

Eu não entendo. As pessoas passam para uma Universidade, para os "templos do saber" e... continuam a viver a vida como se nada houvesse. Como se dali e daqueles livros e daqueles professores e daquelas pessoas, elas não tivessem tirado lições valiosíssimas, que são life changing.
Não entendo como, depois de certas experiências e leituras e convivências e estudos as pessoas não só conseguem permanecer as mesmas, usando as mesmas roupas, ouvindo as mesmas músicas, saindo para os mesmos lugares, com as mesmas pessoas, vendo os mesmos filmes e lendo (ou não lendo) os mesmos livros como também conseguem regredir. E regredir de uma maneira que você achava não ser possível. Como por exemplo, depois de uma vida inteira a dois, mesmo que essa vida tenha sido composta de meses, voltar ao ritmo "tô na pista pra negócio". Como? Como, sem ter um motivo, plano ou uma idéia muito concreta do que se está fazendo, se relacionar aleatoriamente com pessoas inteiramente desconhecidas toda vez que se sai só porque...a pessoa te olhou. E o que isso quer dizer? Se alguém te olha com segundas intenções, você tem que fazer alguma coisa sobre isso? Isso não é algo extremamente machista, tipo... ter que honrar as calças? Não é hediondo quando uma mulher tem esse tipo de comportamento? Eu acho. Porque se não achasse, o que isso iria querer dizer? Que eu ia ter que fazer algo com relação ao operário da esquina que me canta toda vez que eu passo por ele? Pense bem, a premissa, é a mesma. Mas aí é diferente, né? Não, na verdade não é.
Sabe como se reconhece uma pessoa dessas? É o tipo de pessoa que, quando está na Universidade, a grande epifania para essas pessoas vai ser a Teoria Freudiana. Longe de mim negar a importância de Freud para a psicanálise e para o entendimento do Indivíduo e da Sociedade, mas... sinceramente, como, em pleno século XXI, alguém pode achar que Freud é algo tão inovador e revolucionário e repensar sua vida através disso? Simples... Pessoas que não prestam atenção ao que mais aprendem. Pessoas que não tem o mínimo conhecimento de filosofia e psicanálise, pessoas com a mente pequena que gostam de se achar algo interessantes, cultas e inteligentes. E aí você vê uma dessas pessoas falando tão animadamente da aula sobre Freud que assistiu que... dá até vontade de rir. Vontade de rir dessas pessoas sem filtro, que não conseguem ligar o que aprenderam à sua vida, à vida alheia e aos dias e sociedade atuais.
É, um dia, qualquer pessoa se torna extremamente decepcionante e qualquer resquício de admiração escorre como água num ralo.

* Esperando uma excessão à isso.

terça-feira, fevereiro 10, 2009

Do Amor

Enquanto eu estava esperando meus alunos terminarem o exercício que eu acabara de passar, eu olhei pra janela. E é um perigo a combinação dos elementos: Mayra + janela da UERJ + tarde de verão. Não por eu ter vontade de me jogar. Não tenho, nunca tive. Ouso dizer, inclusive, que nunca terei.
Mas suscita uma série de devaneios fora de hora, os quais eu nunca tenho tempo de concluir porque, ou os alunos terminam o exercício, ou eu fico com medo de parecer que estou entediada enquanto estou ali, lecionando, ou eu tenho que me conter pra não deixar uma ou outra lágrima desencadearem uma torrente salgada escorrer pelo meu rosto.
Comecei a, de novo, pensar para onde vai o amor. Desde muito cedo, desde a idade em que se descobre um Amor, que vai além do materno ou paterno ou mesmo fraternal, que não envolve seus animais de estimação ou pessoas da sua família, quando eu tinha uma idéia muito clara e eu achava que, se alguém me perguntasse, eu seria capaz de dizer o que era o Amor, eu responderia o que estava na ponta da língua, claro. Conhecimento geral. Todo mundo sabia o que era o Amor, ou não?
Então, aos dezessete anos, pela primeira vez, eu vi um Amor terminar. E achava que nunca tinha ou iria sofrer tanto na vida, porque o Amor que tinha terminado, não era o meu. O meu continuava ali, como dizem os manuais românticos, continuava fazendo meus olhos se abrirem de manhã, minha boca engolir a comida nas refeições, minhas narinas receberem ou expelirem o ar para meus pulmões e meu coração bombear sangue para os meus orgãos. E então, depois de muitos meses, o amor acabou para mim.
O fato de acabar, sempre me faz duvidar que era verdadeiro. Eu nunca duvidei da felicidade que tive enquanto casal. Sei bem que isto tudo é muito real. Mas como um Amor que acaba pode ser chamado de amor, desse, com letra maiúscula? Para onde que ele vai? Para ser Amor, não é uma premissa de que ele tenha que, necessariamente durar para sempre, independente de você estar com a pessoa ou não? Afinal, Amor não pressupõe correspondência. E se acaba, novamente, para onde ele vai? Como ele sai da gente? Pelos poros, pelas cavidades, pelo suor, durante o sono?
Então eu sempre acabo por duvidar... que amor era esse, que só se escreve em minúsculas e sim, só se escreve, não se inscreve em nada, nem ninguém.
Ia começar a duvidar do amor, quando... acordei.
A solução? Não passar mais exercícios em sala de aula. Desestimular, por enquanto, qualquer iniciação à teoria amorosa segundo Mayra Lopes.

God laughs


Juno vai passar no Telecine am Valentinstag. ARE YOU FUCKING KIDDING ME, GOD?!?

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

E os sonhos

Hoje, parada na cozinha, esperando a pipoca acabar de estourar, eu estava pensando, devaneando sobre um e-mail que não sei se devo ou não escrever, não sei se quero, se preciso ou não. Não é questão de inconveniência. Na verdade, eu ia escrever três e-mails e agora, após tanto, ficou um tanto mais difícil decidir até se um faz sentido para mim.
Então pensando no que eu talvezquemsabe escreveria, é claro, numa ego trip sem tamanho como são todas as correspondências, que acabam excluindo um suposto mundo externo para dar vazão a um mundo interior transbordante, ora fútil, ora profundo demais.
Então eu pensei nas pessoas, ou, em uma pessoa, que meu amigo diz que eu ainda ouço o que tem a dizer porque eu estou apaixonada.Ou em vias de, ou , o mais provável, ainda puta da vida porque o processo de apaixonar-se fora interrompido sem mais nem menos por palavras estúpidas. Para ele, nada tem a ver com o fato de eu achar essa pessoa algo interessante e gostar e me interessar pelo que ela tenha a dizer (embora, de fato, eu deva admitir que as últimas vezes que "nos falamos" não tem sido nada interessante e... eu não realmente ligo para conversas de elevador).
Mas o que me veio à cabeça foi que eu escreveria que, não entendo a necessidade das pessoas que não fazem parte da sua vida, que talvez tenha ficado convencionado de que fariam, de alguma forma menos intensa mas que pra mim, veja bem, não passa de carioquice minha, de dizer educadamente "vamos marcar" quando eu não tenho a menor intenção de ver a pessoa tão cedo (embora as vezes eu ache uma pena), tem a necessidade de se mostrar ali. Elas estão ali, quase que num à espreita e arranjam um pretexto qualquer para vir falar algo que você poderia muito bem ter figure it out on your own someday. E se eu ficasse melindrada com alguma novidade, poderia sempre perguntar, não poderia? Afinal, a minha carioquice me dá esse direito.
Eu não sei os limites da educação alheia, mas a minha não chega a tanto. Há certas pessoas que pecam pelo excesso. Nesse caso, talvez seja por um excesso de sensibilidade? Oi, sensibilidade? è Mayra, menos, né... Bem menos. Você conhece homens, sabe muito bem o que ocasiona preocupações desse tipo.
A isto, seguem-se uma série de conversas de elevador nas quais você não vê propósito nenhum porque você... não quer realmente saber. Me desculpe, não me interessa.
Então, ok, pessoa, você existe. Eu sei disto. Há um tempinho já. Mas não me interessa ficar entre o que não é e o que poderia ter sido e não foi. Eu não compartilho da necessidade de orbitar em volta de outrem e nem na de... por via das dúvidas, deixar a minha existência ali, como uma foto presa constantemente num profile de orkut.
Ironicamente, no livro do Bachelard que eu comprei sexta e já na introdução, eu li uma definição bem apropriada, que eu até ri. Mas vou esperar chegar nas águas claras e nas condições objetivas de Narciso para escrever mais sobre.

off topic: Ainda estou na introdução do livro do Bachelard e estou com vontade de sentar na cama, passar a noite em claro lendo, de uma só vez e comprar todos os outros livros dele. Quem é que pega um livro de psicanálise/filosofia materialista e tem vontade de ler de uma só vez? Medo.com

Kathryn and Jenny


Ver um filme em que a Selma Blair é gay, é algo tipo... ohmygodidiedandwenttoheaven.

domingo, fevereiro 08, 2009

Aquele lugar

Ela não se lembrava de, quando era criança, querer de fato ter sido uma noiva. Lembrava sempre da admiração e como, demorara mais de dez anos para que ela se deparasse com outro casamento, ela havia esquecido daquela sensação.
Esquecera -se de que, em um casamento, não se deseja ser a noiva. As atenções são mesmo dela e ninguém quer sê-la. Quem se atreveria tirar um sorriso daquela espécie do rosto de uma mulher? Quem sonharia em tomar para si o dia mais feliz da vida de alguém? Era questão de segundos, uns três, dois minutos no máximo o momento em que o cortejo havia parado de passar para dar espaço à noiva. E lá estava ela, sorrindo aquele sorriso, olhando para todos com aquele olhar benevolente de agradecimento por estarem ali, compartilhando daquele momento com ela.
Momento este em que, todos se tornam um pouco noivos, ansiosos e transbordantes por nunca terem visto aquela mulher tão linda como naquele dia. Fatalmente, subiriam-lhes lágrimas aos olhos, que custava-lhes não deixar cair.
Lembrara-se então, de que, quando era criança, nunca quis aquele lugar. Mas era atraída como inseto à luz para a noiva. Andava por atrás dela a noite inteira em encantamento veemente, querendo para si somente um pouco daquele brilho, um tasquinho daquela mulher, queria-a quase toda para si, naquele vestido branco enorme, com aquela aura prateada.
Nuca quis aquele lugar...

quinta-feira, fevereiro 05, 2009

Das motivações

Acho que esse mês, quando eu receber, jogo tudo pro alto e vou, literalmente, gastar tudo em livros. Têm pelo menos três que eu quero comprar. Isso porque o meu " The hours" já chegou e está lá, esperando o dia 10 para eu ir buscá-lo na Da Vinci.
Não é só porque eu não aguento mais olhar praquele bloco de concreto da Uerj e nem estou afim de fazer nada que ler e pesquisar se enquadraria nesse quesito. Mas quero ler e pesquisar o que eu quiser.

terça-feira, fevereiro 03, 2009

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

Modelo

Tinha um tipo de corpo que era fácil. Eram comum as pessoas pensarem que nela não se cabiam, mas rapidamente, a um contato mais próximo, via-de que ela era daquelas mulheres que encaixam-se. Na sua pequenez física, tudo nela era proporcional, inclusive aquela magreza extrema.
Um outro corpo ali, aninhava-se todo e completo, sem esforço. Seu corpo, parecia, fora construído para o encaixe. Sempre dava certinho, não importando tamanho.A distância entre os ombros e os joelhos eram um lugar acolhedor e aconchegante para um emsemblamento.
Fora ela toda construída para ter, sonbre si, o peso de outrem.

sexta-feira, janeiro 30, 2009

Deleted

Hoje apaguei umas fotos do meu computador. Elas ainda existem no meu e-mail, mas o fato de eu as tirarem de vista, foi o que fez diferença. Não, antes que todo mundo comece a especular, não é foto de ex. São fotos de uma pessoa que é (foi, na verdade) bem, mas beeeeeeeeeem menos que isso. Mas ainda estavam aqui porque eu achava uma pena.
Bem, não acho mais.