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domingo, fevereiro 22, 2009

Ofélia




"Efetivamente, o apelo dos elementos materiais é tão forte que pode servir-nos para determinar tipos de suicidas bem distintos. Parece que então a matéria ajuda a determinar o destino humano. Marie Bonaparte mostrou muito bem a dupla fatalidade do trágico ou, melhor dizendo, os vínculos estreitos que unem o trágico e o trágico literário: "Realmente o gênero da morte escolhido pelos homens, quer seja na realidade para eles mesmos pelo suicida, ou na ficção para seu herói, nunca é ditado pelo acaso, mas em cada caso, é determinado de modo estritamente psíquico." (op. cit., p. 584) . Surge aqui um paradoxo sobre o qual gostaríamos de nos explicar.
Sob certos aspectos, pode-se dizer que a determinação psicológica é mais forte na ficção do que na realidade, pois na realidade podem faltar os meios da fantasia. Na ficção, fim e meios estão à disposição do romancista. Eis porque os crimes e os suicídios são mais numerosos nos romances que na vida. O drama e sobretudo a execução do drama, o que se poderia chamar de discursividade literária do drama, marca, pois, profundamente o romancista. Quer queira quer não, o romancista revela o fundo de seu ser, ainda que se cubra literalmente de personagens. Em vão ele se servirá "de uma realidade" como de uma tela. É ele que projeta essa realidade, é ele sobretudo que a encadeia. No real, não se pode dizer tudo, a vida salta aos elos da corrente e oculta sua continuidade. No romance só existe o que se diz, o romance mostra a sua continuidade , exibe sua determinação. O romance só é vigoroso se a imaginação do autor for fortemente determinada, se ela encontrar fortes determinações na imaginação humana. Como as determinações se aceleram se multiplicam no drama, é pelo elemento dramático que o autor se revela mais profundamente.
O problema do suicídio na literatura é um problema decisivo para julgar os valores dramáticos. Apesar de todos os artifícios literários, o crime não expõe bem o seu íntimo. Com demasia evidência, ele depende das circunstâncias exteriores. Irrompe com um acontecimento que nem sempre se prende ao caráter do assassino. O suicídio, na literatura, prepara-se ao contrário como um longo destino íntimo. É literalmente, a morte mais preparada, mais planejada, mais total. O romancista quase que gostaria que o universo inteiro participasse do suicídio de seu herói. O suicídio literário é, pois, muito capaz de nos dar a imaginação da morte. Ele põe em ordem as imagens da morte.
No reino da imaginação, as quatro pátrias da morte tem seus fiéis, seus aspirantes. Ocupemo-nos tão somente do trágico pelas águas.
A água que é a pátria das ninfas vivas é também a pátria das ninfas mortas. É a verdadeira matéria da morte bem feminina. Desde a primeira cena entre Hamlet e Ofélia, Hamlet - seguindo nisso a regra da preparação literária para o suicídio - ,como se fosse um adivinho que pressagia o destino, sai de seu profundo devaneio murmurando: " Eis a bela Ofélia ! Ninfa, em tuas orações, lembra-te de todos os teus pecados." ( Hamlet. ato III , c. I)
Assim, Ofélia deve morrer pelos pecados de outrem, deve morrer no rio, suavemente, sem alarde.Sua curta vida já é a vida de uma morta. Essa pobre vida sem alegria será outra coisa senão uma vã espera, o pobre eco do monólogo de Hamlet?"*

Quando eu era mais nova, sabia de cor todas as falas de Ofélia. Adolescente, muito antes de ler Shakespeare na faculdade, muito antes de Prática de Interpretação I. Era somente uma identificação às cegas, antes de eu entrar num mundo de interrogações, eu costumava obedecer.

* BACHELARD, Gaston. A água e os sonhos. tradução de Antonio de Pádua Danesi, 2a. edição. São Paulo, 1989.
** Quadro de John Everett de Millais

quinta-feira, fevereiro 19, 2009

Last kiss

Comprei caixas. Além das mudanças que me propûs a fazer no meu quarto e em mim, final de período. Hora de encaixotar em seus devidos lugares o que já passou e colocar num espaço acessível para (e se) quando eu precisar, um dia. Tudo devidamente dividido. Literaturas e culturas brasileira e portuguesa e prática de interpretação numa caixa. Línguas portuguesa, lingüísticas, latim e práticas de produção em outra; teorias da literatura (incluindo teoria da literatura e filosofia), filosofia da linguagem e literatura clássica em uma terceira caixa e finalmente, outra só para as matérias de licenciatura. Alemão, filologia germânica e literaturas alemãs ficam separados.
Tenho coisas para jogar fora, para dispensar. Tenho pouco tempo a perder, mas penso de pouquinho em pouquinho. Só ir comer algo e tomar uma cerveja, mais um pouquinho de tempo. Voltar a andar pelos mesmos caminhos sinuosos de outrora. Não ouvir às minhas lágrimas e aos meus amigos e insistir numa última vez.
Minha irmã costuma dizer que minha vida é praticamente feita de últimas vezes. É como se fosse a imagem mais forte que tenho da vida: a última vez. E eu prolongo e faço de quase todas as vezes (inclusive da primeira) uma última. Algo que sempre deixará em mim, uma saudade eterna, como se fora a última vez que eu visse a pessoa amada partir mar adentro rumo à morte d´água.
Uma vez que a última vez, se torna, de fato última e definitiva, o definitivo assume todo o seu significado. Não há volta possível. É como se um adeus fizesse uma lavagem cerebral em mim e eu perdesse minha memória. Não há nada que se compare com uma última vez.
Então eu prolongo e me agarro a elas o quanto posso, porque sei que um dia, acaba e morre.

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

Estrelas - ilhas

"Away, then, my dearest,
Oh! hie thee away
To the springs that lie clearest
Beneath the moon-ray-
To lone lake that smiles,
In its dream of deep rest,
At the many star-isles
That enjewel its breast-
Where wild flowers, creeping,"
Al Araaf - Edgar Allan Poe

Há pessoas com as quais não ficaria. Simplesmente pelo motivo que ficar é vulgar demais.Ficar é qualquer um, pode ser qualquer pessoa que te sorria sob uma luz estreboscópica, à falta de luz de alguns drinkes numa noite de carência. No ficar, está implícito que, é bem provável (muito provável, na maior parte das vezes) que haja arrependimento e decepção. As vezes ambos, sendo estes facilmente aplicavéis não só as outras pessoas como também a você mesmo.
Certas pessoas não cabem nessa coisa ordinária que convencionamos ao ato de "ficar".Certas pessoas, você olha (olhar aqui estendendo-se infinitamente além do olhar propriamente dito, que supõe somente beleza externa, seja lá o que seja essa beleza física) e pensa: é para casar. Sem menos.
Não há meios de oferecer a estas pessoas menos do que isto e casamento tem hora, tem lugar e tem pessoas certas. Que podem ou não ser você.
Então... apesar de especulações alheias, pressões e perguntas de todos os lados e um certo desconforto momentâneo a algumas visões que pedem um envolvimento de fato, físico; caminha-se um fim de semana após o outro. É preciso tempo para ir de um extremo a outro. É preciso tempo para aceitar que aquele reflexo de estrela- ilha não é você, mas alguém em separado e que, talvezquemsabe,juntando-se os dois reflexos numa água menos pesada, eles formasse uma imagem.

sábado, fevereiro 14, 2009

Espelho

Toda vez que eu abro aquela página está aquele lembrete. Ela, uma pessoa em potencial, que, por conta de inúmeros amigos em comum, eu devo conhecer. E conheço. "Conheço" assim como "conheço" ele. Mas os que "conheci" juntos. E que via um e via outro e não sabia bem qual era a diferença de um para o outro. Você conhece casal e pensa casal, sem individualidades.
Então o casal se separa, mas como você não realmente os conhece, você não tem que lidar com as individualidades, até que uma chega a você.
E a outra permanece ali, como lembrança, como fantasma. Lembrete de que existiu e você sabe disso. Um espelho para comparação, eterno.

terça-feira, fevereiro 10, 2009

Do Amor

Enquanto eu estava esperando meus alunos terminarem o exercício que eu acabara de passar, eu olhei pra janela. E é um perigo a combinação dos elementos: Mayra + janela da UERJ + tarde de verão. Não por eu ter vontade de me jogar. Não tenho, nunca tive. Ouso dizer, inclusive, que nunca terei.
Mas suscita uma série de devaneios fora de hora, os quais eu nunca tenho tempo de concluir porque, ou os alunos terminam o exercício, ou eu fico com medo de parecer que estou entediada enquanto estou ali, lecionando, ou eu tenho que me conter pra não deixar uma ou outra lágrima desencadearem uma torrente salgada escorrer pelo meu rosto.
Comecei a, de novo, pensar para onde vai o amor. Desde muito cedo, desde a idade em que se descobre um Amor, que vai além do materno ou paterno ou mesmo fraternal, que não envolve seus animais de estimação ou pessoas da sua família, quando eu tinha uma idéia muito clara e eu achava que, se alguém me perguntasse, eu seria capaz de dizer o que era o Amor, eu responderia o que estava na ponta da língua, claro. Conhecimento geral. Todo mundo sabia o que era o Amor, ou não?
Então, aos dezessete anos, pela primeira vez, eu vi um Amor terminar. E achava que nunca tinha ou iria sofrer tanto na vida, porque o Amor que tinha terminado, não era o meu. O meu continuava ali, como dizem os manuais românticos, continuava fazendo meus olhos se abrirem de manhã, minha boca engolir a comida nas refeições, minhas narinas receberem ou expelirem o ar para meus pulmões e meu coração bombear sangue para os meus orgãos. E então, depois de muitos meses, o amor acabou para mim.
O fato de acabar, sempre me faz duvidar que era verdadeiro. Eu nunca duvidei da felicidade que tive enquanto casal. Sei bem que isto tudo é muito real. Mas como um Amor que acaba pode ser chamado de amor, desse, com letra maiúscula? Para onde que ele vai? Para ser Amor, não é uma premissa de que ele tenha que, necessariamente durar para sempre, independente de você estar com a pessoa ou não? Afinal, Amor não pressupõe correspondência. E se acaba, novamente, para onde ele vai? Como ele sai da gente? Pelos poros, pelas cavidades, pelo suor, durante o sono?
Então eu sempre acabo por duvidar... que amor era esse, que só se escreve em minúsculas e sim, só se escreve, não se inscreve em nada, nem ninguém.
Ia começar a duvidar do amor, quando... acordei.
A solução? Não passar mais exercícios em sala de aula. Desestimular, por enquanto, qualquer iniciação à teoria amorosa segundo Mayra Lopes.

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

E os sonhos

Hoje, parada na cozinha, esperando a pipoca acabar de estourar, eu estava pensando, devaneando sobre um e-mail que não sei se devo ou não escrever, não sei se quero, se preciso ou não. Não é questão de inconveniência. Na verdade, eu ia escrever três e-mails e agora, após tanto, ficou um tanto mais difícil decidir até se um faz sentido para mim.
Então pensando no que eu talvezquemsabe escreveria, é claro, numa ego trip sem tamanho como são todas as correspondências, que acabam excluindo um suposto mundo externo para dar vazão a um mundo interior transbordante, ora fútil, ora profundo demais.
Então eu pensei nas pessoas, ou, em uma pessoa, que meu amigo diz que eu ainda ouço o que tem a dizer porque eu estou apaixonada.Ou em vias de, ou , o mais provável, ainda puta da vida porque o processo de apaixonar-se fora interrompido sem mais nem menos por palavras estúpidas. Para ele, nada tem a ver com o fato de eu achar essa pessoa algo interessante e gostar e me interessar pelo que ela tenha a dizer (embora, de fato, eu deva admitir que as últimas vezes que "nos falamos" não tem sido nada interessante e... eu não realmente ligo para conversas de elevador).
Mas o que me veio à cabeça foi que eu escreveria que, não entendo a necessidade das pessoas que não fazem parte da sua vida, que talvez tenha ficado convencionado de que fariam, de alguma forma menos intensa mas que pra mim, veja bem, não passa de carioquice minha, de dizer educadamente "vamos marcar" quando eu não tenho a menor intenção de ver a pessoa tão cedo (embora as vezes eu ache uma pena), tem a necessidade de se mostrar ali. Elas estão ali, quase que num à espreita e arranjam um pretexto qualquer para vir falar algo que você poderia muito bem ter figure it out on your own someday. E se eu ficasse melindrada com alguma novidade, poderia sempre perguntar, não poderia? Afinal, a minha carioquice me dá esse direito.
Eu não sei os limites da educação alheia, mas a minha não chega a tanto. Há certas pessoas que pecam pelo excesso. Nesse caso, talvez seja por um excesso de sensibilidade? Oi, sensibilidade? è Mayra, menos, né... Bem menos. Você conhece homens, sabe muito bem o que ocasiona preocupações desse tipo.
A isto, seguem-se uma série de conversas de elevador nas quais você não vê propósito nenhum porque você... não quer realmente saber. Me desculpe, não me interessa.
Então, ok, pessoa, você existe. Eu sei disto. Há um tempinho já. Mas não me interessa ficar entre o que não é e o que poderia ter sido e não foi. Eu não compartilho da necessidade de orbitar em volta de outrem e nem na de... por via das dúvidas, deixar a minha existência ali, como uma foto presa constantemente num profile de orkut.
Ironicamente, no livro do Bachelard que eu comprei sexta e já na introdução, eu li uma definição bem apropriada, que eu até ri. Mas vou esperar chegar nas águas claras e nas condições objetivas de Narciso para escrever mais sobre.

off topic: Ainda estou na introdução do livro do Bachelard e estou com vontade de sentar na cama, passar a noite em claro lendo, de uma só vez e comprar todos os outros livros dele. Quem é que pega um livro de psicanálise/filosofia materialista e tem vontade de ler de uma só vez? Medo.com

domingo, fevereiro 08, 2009

Aquele lugar

Ela não se lembrava de, quando era criança, querer de fato ter sido uma noiva. Lembrava sempre da admiração e como, demorara mais de dez anos para que ela se deparasse com outro casamento, ela havia esquecido daquela sensação.
Esquecera -se de que, em um casamento, não se deseja ser a noiva. As atenções são mesmo dela e ninguém quer sê-la. Quem se atreveria tirar um sorriso daquela espécie do rosto de uma mulher? Quem sonharia em tomar para si o dia mais feliz da vida de alguém? Era questão de segundos, uns três, dois minutos no máximo o momento em que o cortejo havia parado de passar para dar espaço à noiva. E lá estava ela, sorrindo aquele sorriso, olhando para todos com aquele olhar benevolente de agradecimento por estarem ali, compartilhando daquele momento com ela.
Momento este em que, todos se tornam um pouco noivos, ansiosos e transbordantes por nunca terem visto aquela mulher tão linda como naquele dia. Fatalmente, subiriam-lhes lágrimas aos olhos, que custava-lhes não deixar cair.
Lembrara-se então, de que, quando era criança, nunca quis aquele lugar. Mas era atraída como inseto à luz para a noiva. Andava por atrás dela a noite inteira em encantamento veemente, querendo para si somente um pouco daquele brilho, um tasquinho daquela mulher, queria-a quase toda para si, naquele vestido branco enorme, com aquela aura prateada.
Nuca quis aquele lugar...

sexta-feira, janeiro 23, 2009

O trem



Uma amiga me disse que eu podia amar... (seguiu-se a esta frase uma lista de nomes de mulheres que ela já me ouviu dizendo o nome algum dia). O Pedro Rios me diz sempre que eu sou muito compreensiva. Ele diz isto no bom sentido, é claro, pra ele. Sou compreensiva na medida em que não julgo as merdas de ninguém na frente delas e não sou de dar esporro. A não ser que seja absolutamente necessário e quase nunca é de uma forma muito grosseira. É claro que tudo depende do nível de raiva ou mágoa que o acontecido suscita em mim. E se não tem nada a ver comigo, como posso eu servir de juíza quando I´m always a big mess all around everybody?
Então eu ando realmente ouvindo várias pessoas, sobre vários assuntos e, como sou muito egocêntrica, acabo parando para pensar, sempre que posso no " e eu"?
Depois desse ser compreensiva e juntando com as aulas sobre Clarice Lispector em Literatura Brasileira, que parecem que não vão acabar nunca e que parecem nunca fechar um ciclo, eu pensei:
Talvez eu seja uma mulher clariciana. Diferente é claro, de quando eu tinha 17 anos e achava que era uma mulher clariciana. Mas talvez, eu seja, não compreensiva, mas passiva mesmo. Eu tenho uma vida interior tão intensa e o exterior mexe tanto comigo e de uma maneira tão negativa que eu realmente adore me ver dentro de uma zona de conforto onde eu tenha a possibilidade de viver uma vida outra, não minha, de me preocupar com o outro e de não saber e não ter consciência de mim. Eu me enrosco fácil nessa possibilidade e me torno um fardo. Uma Laura, dizendo de tempos em tempos, que "voltou, Armando, voltou".
Como num trem que já partira.
Mas a consciência de mim existe sempre e incomoda, não só a mim, mas ela mexe com a minha compreensão. Então a tempestade, que é mais difícil que a passividade. Podendo, eu sempre volto pro meu ninho com a cabeça baixa, depois de qualquer tempestade.
Mas aí, o meu trem, já partira.

terça-feira, janeiro 13, 2009

Escolhas

Psic.,
apego exagerado, doentio, a uma pessoa ou a uma coisa.

Olhei no dicionário porque aquilo me parecia estranho. Uma coisa estranha de se dizer em tão pouco tempo. E era fato que eu, passaria um bom tempo pensando e falando sobre aquilo numa tentativa de captar qualquer sinal que eu tenha perdido (o que, honestamente ainda não consegui) - talvez não exista mesmo e eu deva me "conformar" com isto.
O problema é que, sendo de letras, quando algo me é dito ( e isso não deve acontecer com todo mundo de letras, eu suponho) e eu não consigo entender o que e como e porque aquilo está sendo dito e tendo esgotado todas as demais possibilidades, eu, num movimento contrário à toda a minha formação acadêmica e ao meu gosto pessoal, começo uma análise da conversa mentalmente, analisando todos os aspectos do diálogo o qual me deixou perturbada. E neste, o que mais me incomodou foi o uso de um determinado verbo.
Tal verbo é bem presente na minha vida, e por mais que as pessoas não gostem de admitir, na delas também. O que procurei foi o verbo substantivado. Não sei porque, achei que, nele, acharia algo de distorcido e doentio, uma confirmação. Eu as tenho, sempre vou ter. Mas acho que este tipo de coisa, vem manso para se instalar quando você não está atento e quando vê, não tem mais o controle. Não em quatro dias.
Mentira, então? Não, pode até ser que não seja. Mas achei interessante, a escolha do verbo.

sábado, janeiro 10, 2009

Old world underground, where are you now?

Ontem eu fui pra festa que ia nos meus 19 anos. Mudou o lugar, mudou o público alvo, cada vez mais adolescente, mudaram os amigos que encontrei, tirando os djs, que são os mesmos mas com os quais não guardo mais nenhum resquício de intimidade, somente um carinho de passado.
Ontem eu fui pro lugar where time stand still. E eu estava ali de novo, dançando radiohead e placebo, como se fosse 2005, como se eu tivesse ouvindo aquelas músicas pela primeira vez.

I hold an image of the ashtray girl
Of cigarette burns on my chest
I wrote a poem that described her world
And put our friendship to the testAnd late at night
Whilst on all foursShe used to watch me kiss the floor
What's wrong with this picture?

E meus sapatos branco-e-preto cada vez mais sujos e os cigarros e as bebidas que eu não sabia como e de onde vinham, mas vinham, sempre vinham, você tem amigos e bebe e fuma e eles te fazem beber e fumar. Calça preta, camiseta preta, sapatos e cabelo para o alto. Maquiagem preta, menos forte do que costumava ser. A mesma menina dos 19 anos, exceto que agora ela tem 23 e não estava mais interessada em muitas coisas. Dançar. Fora isso. Dançar.

Farewell the ashtray girl
Forbidden snowflake
Beware this troubled world
Watch out for earthquakes
Goodbye to open sores
To broken semaphoreYou know we miss her
We miss her picture

Gente estranha se apresentando, gente feia vindo falar, cansaço do mundo das pessoas. Beware this troubled world and watch out for earthquakes. Sem esperar nada e nem ninguém pela primeira vez na vida. Sem esperar nada de si mesmo por achar que não tem mais jeito. For fear of growing old. Can´t stop growing old.

Sometimes it's fated
(We) Disintegrated itFor fear of growing old
Sometimes it's fated
(We) Assassinated it
For fear of growing old

Farewell the ashtray girl? What´s wrong with this picture?

sexta-feira, janeiro 09, 2009

Tempos

Aqui, bem aqui, e na minha vida, e no meu diário eu digo: apesar dos planos, eu não tenho futuro.
O tempo verbal do aqui, é presente, também sem passado, porque o passado está dentro do presente. Sempre, pra sempre. Ordens minhas, talvez eu prefira assim, talvez eu prefira passar a vida toda lambendo minhas feridas, que vão carinhosamente se entranhando e se tornando parte de mim.
Já deviam saber que, da minha vida, não é possível sair. Talvez, ao invés de ser Alice, ou o coelho ou mesmo a Rainha de copas, ou até o espelho, eu não seja o buraco, as pessoas ficam curiosas e caem.

segunda-feira, janeiro 05, 2009

Meus personagens

Diante daquela acusação mais que absurda, pensei - mas não falei porque sequer havia espaço para que eu dissesse qualquer coisa: mais é claro que eu me invento personagens. A diferença entre a gente, é que eu invento meus próprios personagens e ponho minhas próprias máscaras livremente, sem ter que fingir que aquilo é, de fato, ser eu.
Eu sei a hora que eu tenho que puxar um ou outro personagem, colocar uma ou outra cara por mais que me não me agrade. Além do que, tem os personagens com os quais eu me identifico e gosto de me colocar entre eles, me aconchegar entre sentimentos conhecidos, como a Alice do país das Maravilhas e sobretudo a de Através do espelho, como a Susanna Kaysen de Girl, Interrupted (a do livro, não a do filme, embora me encante a possibilidade de ser a Winona Ryder), como a Virgínia Woolf do The hours e Werther, e o Andres Fava de Cortázar e por aí vai.
A criação dos meus personagens para mim, vai além de me diferenciar das pessoas "normais". É o que me diferencia daquelas outras pessoas, das pessoas daquele hospital. É o fato de eu me sentir à vontade e livre o suficiente para criar e me deixar ser ou agir de acordo com esses personagens. Sendo assim, eu consigo ser mais eu que eles, que acham que, ali estão sendo eles próprios quando, aos olhos de todos, até mesmo dos não "sãos", eles não passam de caricaturas de si mesmos.

quarta-feira, dezembro 31, 2008

Going

Engraçado como que, em véspera, ou na semana do ano novo, a família inteira se reúne para dar ordem às coisas, como se fosse um pecado ter um tiquinho de poeira ou uma roupa fora do lugar no momento em que um ano dá passagem à outro. Menos eu. Bizarramente, hoje, um passarinho - não sei o nome - daqueles bem comuns no Rio de Janeiro, com a barriga amarela, entrou no meu quarto fazendo o maior estardalhaço no melhor do meu sono. Como, durante esta semana inteira eu já ostentei um humor daqueles, já levantei reclamando do maldito, meu gato achando que tinha virado o frajola e tirado a sorte grande, porque, afinal depois de tantos anos apenas observando essas aves pela janela, nos entra um pela nossa janela, sobrevoa a casa, pousa nos móveis e pede pra sair, desesperado, pela janela da sala.
A minha cama, ainda está uma bagunça. Não estou com a menor pressa apesar dos gritos da minha irmã, achando que eu vou fazer alguma coisa porque ela quer. Não vou. Bagunça... the mess. Não vou nem comentar sobre a minha vida, porque ultrapassou o ponto da bagunça, eu já não sei mais classificar o que é. As vezes tomar uma dianteira que, há anos, meses, semanas, segundos atrás eu não sabia se podia ou conseguia, as vezes ser arrastada e ir, sabe? Ir.
Sem brincadeiras ou respostas padrão como diz um certo amigo meu, eu tenho ido. Talvez estes dois verbos sejam o que de mais perto chega de mim. E todo mundo quer saber ido onde e com quem, mas a única resposta que eu tenho, é essa. Indo.

domingo, dezembro 28, 2008

Personagem

Desde o momento que abrira o livro do escritor trintão-cool-alternativo contemporâneo sobre algo que, talvez não fosse nem mesmo do tempo dele mas que ele fingia que sim, conhecia a fundo numa ânsia de ser mais que os outros, conhecer mais que os outros, ser vintage, moderno, descolado, careless, ela lembrara de Pietro.
Pietro havia sido um homem que, como a menina perguntara naquela noite, ela nunca soube dizer como conheceu. Ambos existiam numa mesma cidade e num mesmo ambiente em determinada época de suas vidas. Uma noite, numa boate, ela chegara, num auge de bebedeira ao lado do que costumava ser seu melhor amigo e sentira, nunca soube de onde, como ou porque, alguém lhe girando para um beijo. Um beijo que, durante algum tempo ela considerou o melhor de sua vida. Após isto, fora assim, encontrava-se aos tropeços sob a luz estroboscópica do ano de 2005, se olhavam e se beijavam batendo-se pelas paredes e rindo.
Os dois sempre, extremamente passionais. Uma noite, ele, após ter dado um soco numa parede a chamou para sair de onde estavam e irem beber. Foram. Durante a conversa, que nunca, nunca fora menos do que interessante, embora as vezes pedante ou entediante, ele lhe dissera: nossos filhos seriam muito inteligentes. E fofos, ela completou, juntando as duas características mais sobresalentes em ambos. Dormiram juntos e não dormiram juntos, de forma completamente platônica mesmo com ela rezando para que acontecesse alguma coisa. Não aconteceu. Somente um carinho no rosto pela manhã enquanto ela ainda fingia que dormia.
Eram o tipo de casal não concretizado e que juntos dariam em perigo.Uma vez, tomando vinho e ouvindo o quinto melhor jazzista contemporâneo na casa dele, ele a elogiou, disse que sua beleza naquela noite estava especial. Ela, que secretamente se sentia mais poderosa e realmente bonita debaixo de todo aquele lápis no olho, respondeu: é o cabelo. Cortei ele hoje. Eu mesma. Na hora, ele se levantou e disse: acho que vou cortar o meu. Me ajuda? Foram juntos para o banheiro com uma máquina na mão e um desastre. Juntos, seriam auto-destrutivos. Se afundariam em álcool, drogas, boates, vinhos, livros e filosofias, noitadas de piano, jazz e o sexo que nunca fizeram.
Ela sempre pensara nele como uma espécie de personagem. Não havia como alguém ser tão carismático e assumir esta postura durante a vida e funcionar tão bem, se a pessoa não fosse um personagem. E ele era, dos dela, um dos preferidos.
Naquela noite, ele perguntara o que ela estava fazendo – já de pijamas, após uma incursão a seu passado familiar, ganhando um perdão que não precisava ou pedira, ela respondeu: trabalho. O que, é obvio era uma mentira. Ele disse que estava bebendo em casa com uma amiga e eles queriam companhia. Ela negou mais uma vez, até que como último argumento, ele venceu com: passe a noite comigo, meu bem, não te arrependerás.
Canastrão filha da puta, pensou. Eu vou, me dá um tempo. Colocou qualquer roupa preta pra combinar com seu casaco chique e botas de chuva – porque chovia o céu em Botafogo. Chegou lá, se enrolou com o elevador e as luzes e ao chegar a seu andar, ele abriu a porta e disse: você demorou pra subir, meu amor. Aconteceu alguma coisa? Eu me perdi, ela respondeu enquanto entrava. Lembranças de casa alheias, sempre chegam como uma fonte de saudade. O cheiro, a disposição dos móveis, a luz ou a falta de. Deu de cara com, uma mulher (menina, provavelmente) e sim, um menino, um som enorme e potente conectado ao som, televisão e computador. Baby Charles tocando. Após sentar, ele sentou-se a seu lado e disse: Você bebe vodka? Bebo. Lhe mostrou uma garrafa com conteúdo vermelho. Vodka russa, mas essa é especial, olha: mostrou o fundo da garrafa os dizeres que indicavam, vodka soviética russa, 30 anos. Havia pimenta. Colocou uma dose pra ela, que fez careta após o primeiro gole. Esquenta, não é? Ela balançou a cabeça. Feita especialmente para o inverno de São Petesburgo. E rira. Era assim que ele era. Canastrão filha da puta.
Dessa vez, não tinha mais cigarro nas mãos. Era algo mais... natural, que ela não fazia há algum tempo. A música, as pessoas que pareciam ter sumido, a maconha e a chuva na rua lhe levaram prum não sei onde que ela precisou ser chamada de volta por estar “extremamente introspectiva”. O fato é que, ela não estava ali. Nem quando ele sentou entre as suas pernas e começou a mexer e bagunçar os seus cabelos. Não era nos cabelos dele que estava mexendo, era quase como se, não fosse a sua vida que estivesse vivendo. Toda vez que estava perto dele, se sentia como ela uma personagem, da vida dele, secundária, tentando achar seu nome em uma posição principal nos dvds da prateleira.

terça-feira, dezembro 23, 2008

Hand in my pocket

Hoje quando abri o player ao invés de, como sempre, deixar vir aleatoriamente a primeira música que meu player resolvesse hoje, eu mesma me direcionei: Alanis, Hand in my pocket.

"I'm sane but I'm overwhelmed
I'm lost but I'm hopeful, baby
What it all comes down to
Is that everything's gonna be fine, fine, fine
'Cause I've got one hand in my pocket
And the other one is giving a high five

I feel drunk but I'm sober, I'm young and I'm underpaid
I'm tired but I'm working, yeah
I care but I'm restless, I'm here but I'm really gone
I'm wrong and I'm sorry baby

(...)
I'm free but I'm focused,
I'm green but I'm wise
I'm hard but I'm friendly, baby
I'm sad but I'm laughing,
I'm brave but I'm chicken shit,
I'm sick but I'm pretty, baby"

Eu abri a minha caixa de e-mails. Juntei com esta manhã, juntei com as últimas semanas e semana que vem, e talvez, quem sabe, dois mil e nove e me dei conta de que eu fechei um ciclo. Um. Com um zilhão de ciclos em aberto, é claro. Vida, tudo ao mesmo tempo, Vanilla sky, ".every passing minute is another chance to turn it all around". Talvez um zilhão de ciclos abertos não seja tão ruim assim. Talvez não passem de apenas possibilidades. Sem expectativas. Possibilidades, apenas. Podendo, é claro, dar mais da metade delas aberto. Mas se elas existem, what really can I do? I´m lost but I´m hopefull.

domingo, dezembro 21, 2008

continuação, parte II

Ainda durante uma dessas conversas de ontem/anteontem (não sei se duraram tanto assim, mas pareciam eternidades), ele me perguntou o que me traria a felicidade absoluta e um desespero completo.
Eu respondi sobre a felicidade, mesmo não acreditando nela. E a resposta não envolvia ninguém. Envolvia a mim,numa espécie de fuga de mundo dentro do mundo. Fora meio rápido e (quase) sem pensar.
A segunda pergunta, não respondi. Porque eu já tive o desespero completo tantas vezes que eu sei que sempre tem mais. E eu não sei o que mais me traria ele de novo. Eu sei que há possibilidades e elas não param de crescer a cada segundo. E eu não sei o que ele pensou quando perguntou acerca da infelicidade e desespero. Mas sei no que pensei. Ao mesmo tempo... eu não consegui pensar porque eu acho que, neste caso, existirá sempre algo que eu não poderei prever. Algo que será tão fora do que eu quero ou espero que eu não posso sequer cogitar. Como das outras vezes.

sábado, dezembro 20, 2008

Continuação

E depois de ter acordado e lido seus poemas, aos quais não dei atenção, não eram sobre algo que pudessem me interessar, a priori. Ou era sobre coisas que eu ainda não entendia, que a idade ainda não me trouxera.
Então eu sozinha no quarto da psicanálise, mitologia, literatura e filosofia. Com tudo o que eu sempre quis ler na vida em francês, inglês, português, grego e alemão. E ele entrou novamente. Eu deitada no divã no qual havia dormido, não sei que horas.
Falava da vida que passou e das coisas e dos erros e das impossibilidades e impossibilidades que um dia foram possibilidades. Me perguntou se eu nascesse de novo, se faria as coisas diferentes. E eu, recém 23 completada, respondi que sim.
E então ele me perguntou de seus poemas e sobre um verso, em especial. Me perguntou se eu sabia o que era liça (pois era isso que segurava minha interpretação). Não, não sabia. Após me explicar, me perguntou:

- Você está disposta a guerrear sem lutar?
- Não!
- Você parece que tem nove vidas! Não desperdice a única que tem.

Lembrei de Perdas e Danos e de alguém num jantar dizendo: Damaged people are dangerous. They know they can survive.

Então, ele disse que algum dia, um namorado despencaria sobre mim ( e reforçou: sim, é esta a palavra, despencar) e falou entre outras coisas que eu esqueci, que essa fallen person iria me elogiar por méritos que não tenho mas que terei aos seus olhos.
Não pensei nisso. Não pensei em namorado, ou namorada. A verdade é que procurei o não - pensar. E consegui.
Exceto pelo passado, que nos marca e pelos méritos que enxerguei nos outros e eles não possuem.
Ao final, o velho chegara ( e em voz alta, num convite) à mesma conclusão que eu. Eu deveria ir lá, mais vezes.

quinta-feira, dezembro 18, 2008

Rainha guerreira

Ontem foi o amigo oculto/festa de confraternização de um dos estágios. Daquele estágio, daquele que não tem muito a ver comigo e que eu trabalho numa sala separada dos outros estagiários que são todos de ciências atuariais e estatística.
Enfim, tirei um deles que não tinha a menor idéia de quem fosse. Perguntei pra minha tia quem era o fulano e ela me responde: Ah, é o que não participou do seminário porque estava doente.
Olhei com aquela cara de: legal, fiquei na mesma!
Mas enfim, o valor era 10 reais, cada pessoa dizia o que queria e tava tudo certo. A pessoa pediu uma agenda. Pensei: ah, fácil. Comprei a agenda.
O ruim é que, era um daqueles amigos (?) - ocultos (?) no qual vc tem que descrever a pessoa. Indo por eliminação porque todos os homens já tinham sido tirados, pensei: Bom, só pode ser aquele ali.
Então chega a vez do dito cujo falar, chega a seguinte descrição:

A minha amiga - oculta, eu não conheço muito bem para falar sobre ela. Só posso dizer que tem um estilo próprio, tem um nome indígena. ( A essa altura todo mundo já sabia que era eu porque estilo próprio leia-se: a única daqui que não é patricinha) e eu pesquisei o nome, quer dizer: Rainha guerreira, dona dos animais, inteligente.

Começam com aquele estardalhaço adolescente de "aí hein, ganhou pra hj" e eu com vontade de morrer. Fiquei com tanta vergonha que a minha única reação foi: eu tbm te tirei, toma teu presente.
Sério, why bother? Isso tudo é só porque eu sou sobrinha da chefe?

sexta-feira, dezembro 12, 2008

I hide?

Estive pensando em músicas essa semana, porque, num movimento inversamente porporcional ao tempo que eu tenho para tal, escutei bastante música essa semana (coisa que não fazia há tempos) e não só em casa como à caminho dos lugares ( e como eu não andava "caminhando" pra lugar nenhum...)
Fim de semana passado decretaram fim do meu "luto, fossa, bad" chamem lá do que quiserem. Deu certo. Mas acho que só deu certo porque havia certas coisas que eu precisava entender, que eu finalmente entendi, certas coisas que eu precisava dizer e não disse, mas já escrevi. Ainda que esteja tudo escrito aqui, escrevi. Isso aliado à milhões de mensagens fofas, de alunos, de amigos, de escritores famosos que falam comigo sabe-se lá porque, volta à faculdade, volta aos estágios,enfim, vida. Outra vida.
Diferente. Não dá pra dizer melhor, ainda. Mas não tenho pretensões ou expectativas.
Voltando ao assunto, músicas. Andei pulando do meu mp3, aquela Umbrella cantada anonimamente ao violão. Me identificando com alguma coisa pop-escrota-pegajosa que não me vem à cabeça agora, mas que me assustou e entrando quase às lagrimas em Foolish games (como qualquer pessoal normal). Não sei se pulava ou deixava tocar pra me aquietar ainda mais, pra me acomodar ainda mais a qualquer estado não - natural.
E daí Capitu. E daí Beirut. E Elephant gun.

"If I was young, I'd flee this town
I'd bury my dreams underground
As did I, we drink to die, we drink tonight

Far from home, elephant gun
Let's take them down one by one
We'll lay it down, it's not been found, it's not around

Let the seasons begin - it rolls right on
Let the seasons begin - take the big game down

Let the seasons begin - it rolls right on
Let the seasons begin - take the big game down

And it rips through the silence of our camp at night
And it rips through the night

And it rips through the silence of our camp at night
And it rips through the silence, all that is left is all that I hide "

All that is left is all that I hide

sexta-feira, dezembro 05, 2008

Isn´t it ironic? (parte já me perdi no número)

Antes das ironias propriamente ditas ou mais escancaradas, trecho Diário de Andrés Fava/ Cortázar que eu terminei hoje:

" ; mas de supetão fui alcançado pela certeza de que, de alguma forma, em algum estado, eu já passei pela morte.
Um estado análogo pode ser a remota base da crença na imortalidade. Hoje não é tão fácil aceitar e assumir as consequências; creio no estado de autenticidade da minha experiência (...)
; mas, lealmente não posso inferir dela uma convicção. Sei apenas que já morri antes; nada mais que isso. Que garantia tenho do futuro? Talvez revivamos duas vezes, ou vinte e oito. Quem sabe se não estou em minha última vida. Com que direito me candidato à imortalidade, quando tudo que sei é que venho de uma morte?"

E um dia antes de uma morte, na camisa da menina da boate, dizia: Love Hurts. Assim como doeu o não que eu dei.
E agora vem o orkut me dizer: "Today's fortune: Now is the time to try something new"
haha funny, huh?